É apenas uma pequenina sessão de autógrafos, num pequenino stand
de uma pequenina editora. Uma pequenina sessão com uma pequenina autora de uma
pequenina obra. Mas a feira é grande, tem grandes pavilhões e grandes editoras com
grandes sessões de grandes autores que fazem valer o esforço de abdicarem
de um bocadinho da vossa tarde para irem lá cumprimentar a pequenina
autora ao pequenino stand da pequenina editora e, quiçá fazerem-na sentir-se menos pequenina por uns breves instantes. É já no domingo. Às cinco e meia. Pavilhão D42. Não faltem.
quarta-feira, 4 de junho de 2014
segunda-feira, 26 de maio de 2014
Somos livro!
"Era uma vez uma mãe que gostava muito dos
seus filhinhos e que resolveu criar um blogue onde pudesse contar as suas aventuras
e desventuras. Era uma vez uma data de gente que achou graça às histórias da mãe
que gostava muito dos seus filhinhos e que começou a fazer “like” cada vez que
a mãe contava uma história nova. Era uma vez uma editora que achou que as histórias
da mãe podiam ser compiladas num livro. O livro ficou pronto e a mãe não coube
em si de contente por ter a oportunidade de deixar aos seus filhinhos as suas
histórias encadernadas."
Há dois finais possíveis para esta história:
Final 1:
"Todos os que achavam graça às histórias da
mãe puderam comprar o livro e ficar com as histórias encadernadas para as
relerem sempre que quisessem."
Final 2:
"Todos os que achavam graça às histórias da
mãe compraram o livro e falaram do livro a todos que pudessem vir a achar graça
às histórias da mãe que gostava muito de escrever sobre os seus filhinhos. Ao
contrário das expectativas, venderam-se tantos exemplares que esgotou a primeira
edição!"
Como vêem, o final da história está na vossa mão. Eu já estou
muito feliz por ter chegado até aqui, contudo, ficar-vos-ei eternamente grata
se me ajudarem a tornar o livro um sucesso.
Chega às lojas em Junho. Já está disponível para encomenda aqui.
domingo, 25 de maio de 2014
Há cromossomas y a mais nesta casa... parte II
O Tiago
observa atentamente os meus sapatos. São de cunha, de uma cor discreta. Estão
longe de se enquadrar no tipo que facilmente
lhes desperta aquele implacável gene reacionário que herdaram do pai.
"Algum
problema com os meus sapatos, Ti?"
"Não.
São giros."
Respiro de
alívio. Não estou com disposição para grandes argumentações. Ele parece
perceber isso e sorri. Acrescenta:
"E
devem ser bem mais confortáveis do que os que têm aquele pauzinho fininho
atrás."
"Salto
alto. O pauzinho fininho chama-se salto alto. Tens razão, estes não magoam nada."
"Devem
é ser mais caros..."
"Não
necessariamente."
Olha-me
incrédulo.
"Os de
salto alto não são baratos? Não pode ser! "
"Ti, o
preço dos sapatos depende da qualidade e, por vezes, da marca deles. Não tem a
ver com o formato nem com a altura."
Suspira e abana
a cabeça.
"Não vos
entendo."
"E
porque é que o senhor não "nos" entende, posso saber?"
"Não
entendo porque é que usam sapatos que vos fazem doer os pés se nem são, ao menos, mais baratos do que os outros!"
segunda-feira, 12 de maio de 2014
The Homework Police
A expressão “trabalhos de casa, só com uma arma apontada” ganhou
ontem, por estas bandas, toda um nova dimensão. A saber:
“Meninos, são quase horas de dormir. Terminaram os tpc? Têm tudo
pronto para amanhã?”
O Tommy acena afirmativamente. O Tiago, agarrado ao comando da Wii,
faz de conta que não me ouviu.
“Ti, fizeste os trabalhos de casa todos?”
“Oh mãe… agora que eu ia começar um jogo…”
Se num dia normal uma resposta destas já me enerva, num domingo à
noite (momento da semana em que os meus níveis de serotonina estão muito para lá
dos mínimos recomendados) provoca-me uma reacção histérica. Nada como me verem
a estrebuchar para se esgueirarem rapidamente para os quartos quais ratinhos
assustados. A Té costuma regressar passados uns vinte segundos não só porque ainda
não tem trabalhos de casa para fazer nem sacos para preparar mas também porque é,
de longe, a que me tem menos respeito. Desta vez não regressa. Decido ir
espreitá-los. O Tommy está a preparar o que supostamente já estava preparado. O
Ti está sentado à secretária, com cara de vítima, a fazer um crucigrama. A Té
está em cima da cama do Ti, de G3 em punho, apontada ao irmão.
“Que é que se passa aqui?”
Sem levantar os olhos do livro, o Ti esclarece-me:
“É a minha irmã que é parva.”
A Té aproxima um pouco mais a arma.
“Não sô pava. Sô a polícia dos tabaios. Se não fizeres o tabaio
dou-te um tiro.”
“Teresinha, obrigada pela ajuda, mas isso não se faz.”
Encosta a G3 ao ombro. Tem o cabelo desgrenhado e a cara suja. Não
parece uma polícia, parece uma guerrilheira colombiana. Sorri e pisca-me o olho:
“Tou a bincá, mamã. Não posso dispará… ito nem tem balas!”
quarta-feira, 7 de maio de 2014
To mum, with love
Presentes do dia da mãe. O Tommy oferece-me um cartão com um lindo
poema. Não vá eu convencer-me de que o meu filho mais velho está a ficar
lamechas, recita o poema em ritmo hip-hop. O Ti fez um elaborado trabalho de
pintura e colagem com motivos florais para eu colocar na parede. A Té memorizou
duas quadras dedicadas à mãe e diz-mas em surdina, ao mesmo tempo que me estende, com orgulho, uma
moldura decorada com flores de papel colorido.
“Adorei as vossas surpresas, meus queridos. Obrigada.”
Sorriem, satisfeitos.
“Ainda bem que gostaste. O meu, pelo menos, deu muito trabalho”, diz o Ti enquanto observa com um ar sobranceiro a moldura da Té. Um olhar
ameaçador do irmão impede-o de abrir a boca para tecer algum comentário menos
simpático.
Inibido de criticar a menina só-porque-é-pequenina aponta as
baterias para cima:
“O Tomás podia ter usado várias cores para escrever o poema dele. Tinha
ficado muito mais giro.”
“Só tive quarenta minutos…”
“Se tivesses alinhado os lápis todos à tua frente, ias pegando num
de cada vez, e escrevias uma palavra de cada cor. Era rápido.”
“Não se iam ler tão bem as palavras…”
“Talvez, se usasses o amarelo clarinho. Esse já se sabe que só
serve para pintar o sol.”
“Preferi assim.”
“Preferiste mal.”
Peço-lhes que não comecem a discutir. Digo-lhes que gosto dos seus
trabalhos independentemente da quantidade de cores ou enfeites que cada um teve
oportunidade de utilizar. Explico-lhes que o importante é o carinho e o esforço
que lhes dedicaram. Já devia ter aprendido que há momentos em que o melhor é
estar caladinha:
“O meu foi o mais chato de fazer porque tive de fazer pintinhas
nas pétalas, pintar os ramos, colar as folhinhas, colar as pedrinhas…”
“Ouve cá, achas que fazer um poema é fácil?”
“Não. Fazer um poema é chato. Mas as minhas flores foram muito
mais chatas de fazer. Tive de fazer pintinhas nas pétalas, pintar os ramos, colar…”
“A MIA MÓDURA TAMÉM FOI CHATA!”
“A tua moldura é simples.”
“É CHATA!”
“AS MINHAS FLORES SÃO AS MAIS CHATAS!”
Deixei-os a disputar o grau de chatice das suas obras enquanto as fui guardar no meu quarto. Três pedacinhos de amor dos meus meninos que vão ficar comigo para sempre. Valeu o esforço, miúdos. Sou uma mãe cheia de sorte.
terça-feira, 29 de abril de 2014
Há cromossomas Y a mais nesta casa...
“Então mãe, estás melhor?”
“Estou Tommy, obrigada. Fui ao médico e já comecei a tomar antibiótico.”
Olha-me de alto a baixo.
“Foste ao médico de saltos altos?”
“Algum problema com os sapatos?”
“Não me parecem muito adequados. Podias ter levado algo mais confortável.
O mesmo se aplica ao rímel… é preciso pintar os olhos para ir ao médico?”
“Meu querido, fui ao médico, não chamei o INEM.”
“Mesmo assim…”
“Por essa ordem de ideias, saía de casa todos os dias com um
carrapito na cabeça, de sapatilhas e de fato de treino.”
“Em dias normais, não vejo porque não. Mas, não me entendas mal,
tu lá sabes.”
Sorri-me com aquele sorriso lindo dele e afasta-se airosamente
antes que eu tenha oportunidade de exteriorizar a minha indignação. Aposto três pares de sapatos em como vai a pensar: «ser mulher é mesmo muito mau...»
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