Quando a Teresinha diz um “Mãe! Qué fazê um zenho!” pensa um “Mãe,
senta aí e pega nos lápis para desenhares aquilo que eu gostava de já conseguir
desenhar.”
Desisti de tentar convencê-la de que a ideia é os meninos
desenvolverem por si próprios as suas capacidades de expressão plástica. Deixo
essa tarefa para a Educadora de Infância a quem tem bem mais respeitinho do que
a mim.
Normalmente são princesas. Menos mal. Até 2010 só desenhava meios
de transporte, campos desportivos e personagens de jogos de consolas. Princesas
agradam-me, não posso negar.
Um destes dias, estava eu de lápis na mão, às ordens de Sua
Excelência, quando passa o Tiago que, após uma sobranceira espreitadela ao meu
trabalho, me congratula com um simpático:
“Muito bem, mãe. Está óptimo. Tens muito jeito.”
Sorrio-lhe, satisfeita.
O episódio podia muito bem acabar por aqui, mas não. Com o Ti, no
que toca a elogios, há sempre uma machadada final para manter os níveis de ego
controlados:
“É bom para ti que tenhas jeito para desenhar. Normalmente as mulheres
não têm jeito para nada. Não têm jeito para correr, não têm jeito para jogar
futebol, não têm jeito para jogar Wii, não têm jeito para…”
O meu sorriso dá lugar a um sobrolho carregado, fazendo-o sentir-se na obrigação de minimizar danos. Pousa-me a mão no ombro e diz baixinho:
“Tens jeito para algumas coisas… fazer bolos, cozinhar, trabalhar…
mas isso não conta. Não é divertido. Desenhar é divertido. Tens jeito. É bom
para ti. Percebes?”
Percebo. Custa-me um bocadinho a admitir, mas percebo. Assim que
tenha oportunidade vou mostrar-lhe que ainda sei fazer 'a roda'. Sinto que vai
fazer toda a diferença.
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